MACHU PICCHU! E outras coisas sobre o Peru
“Señorita, señorita!” é a frase que eu mais escutei em quatro dias no Peru. Ela saiu da boca de criancinhas e de velhos, do camareiro do hotel e do guia da viagem, do balconista do supermercado e da garçonete do pub. A segunda foi “no, gracias”, que saía da minha boca mesmo, negando quase tudo que me ofereciam pra comprar por lá.
Caminhar pelas ruas de Cusco é ao mesmo tempo fantástico e melancólico por uma série de motivos.
É fantástico porque é uma cidadezinha linda, minúscula, encrustada no meio de montanhas bonitas. A arquitetura colonial, o friozinho e a diversidade de nacionalidades que caminham pelas ruas são encantadores. Encantadora, também, é a maneira como aquelas ruas, prédios e placas contam uma história incrível, de um povo que ocupou aquele lugar há muito, muito tempo, e que deixou um legado cultural enorme, que vai de artesanato, moda, gastronomia e música até religião, língua e atividade econômica.
E é melancólico porque a cada dois passos que você dá você é cercado por figuras miseráveis, crianças, adultos e velhinhos. Com feridas no rosto por causa do excesso de sol, rugas precoces, dentes pretos de cáries e de mascar folha de coca, eles te abordam e querem dinheiro, querem vender algo, querem saber de onde você é pra pedir uma moeda “de lá”. Mesmo as criancinhas, todas fofas, já sabem que devem ser simpáticas e educadas pra que você as premie com umas moedinhas.
Melancólico porque, fora do centro histórico, as “casas” são feitas de tijolos de barro vermelho, construídas precariamente nas encostas dos morros, de um jeito que você tem certeza que elas vão derreter ao menor sinal de chuva forte – por sorte, parece que lá só cai uma garoa fininha. E aí você se dá conta do que eles eram – Cusco significa ‘o umbigo do mundo’, afinal – e do que eles são hoje.
Bate uma pontinha de raiva dos espanhóis, mas a real é que eles só fizeram as mesmas barbaridades que todos os colonizadores fizeram ao longo da história – não que isso diminua a culpa deles, mas veja, eles não foram os primeiros e nem serão os últimos a dizimar civilizações incríveis.
A magia em Cusco, contudo, está na maneira como o povo Inca manteve de alguma forma tantos costumes originais – e na preservação, intacta, de uma série de coisas – entre elas, uma cidade inteirinha a uma curta distância dali.
A montanha
Machu Picchu tem dois ‘cês’ no ‘Picchu’ porque se pronuncia Machu Pikchu. E pronunciar ‘Machu Pichu’, sem o som do cê marcado, significa que você estará dizendo ‘velho pinto’, em Quechua, e não velha montanha – o que eu tenho quase certeza que não é seu objetivo. E é, mesmo, uma cidade inteirinha, impressionante , intacta, enorme e imponente. Ela te ajuda a lembrar da magnitude que o império Inca teve um dia e desperta uma falsa nostalgia, de algo que você sabe que infelizmente precisou ser abandonado às pressas e guarda um monte de segredos que nem foram desvendados sobre um povo que, de alguma forma, em uma época remota, sabia muito sobre o céu, sobre as coisas da natureza e tudo mais.
Tem isso sobre Machu Picchu, né – claramente os espanhóis nunca chegaram ali. Se tivessem chegado, a cidade, que abrigava coisa de 2000 habitantes, não estaria num estado tão bom de conservação quando foi descoberta, no início do século XX. A parte curiosa sobre Machu Picchu é que tudo que seu guia te diz sobre ela é suposição – e como existem várias correntes científicas que explicam a cidade, se você der uma escutadinha no discurso do guia do grupo ao lado, pode ouvir uma versão completamente diferente. E uma delas, pra alegria de gente como eu, envolve aliens (mas essa é não oficial e eu não confiaria muito no guia que te apresentasse essa versão).
Peru Rail
O trem pra Machu Picchu valeria a pena por si só, mesmo se o destino não fosse um dos maiores e mais conservados sítios arqueológicos do planeta. São quilômetros de montanhas incríveis, de relva verdíssima e picos de neve branquinha, cortadas na base pelo rio Urubamba, que corre com uma força inacreditável – parte porque desce de pontos muito altos, outra parte porque parte dele é neve derretida que vem lá de cima.
O trem é uma das várias coisas que surpreende sobre a impecável estrutura de turismo do Peru. A versão turística tem tetos de vidro, que é pra todo mundo poder viajar observando a paisagem maravilhosa, lanchinho incluso no ticket e serviço de bordo quase igual ao dos aviões, com o adendo de que na volta as mesmas pessoas que te servem comida e água se vestem de monstro inca e fazem uma dança doida, e depois encarnam os modelos com desfile de roupas e tudo, só pra tentar vender produtos de lã de alpaca e vicunha caríssimos.
Na realidade, em todos os lugares os serviços são quase irrepreenssíveis, da disponibilidade de informações ao treinamento dos funcionários. Todo mundo vive em função do turismo; as pessoas saem de casa vestindo roupas incas tradicionais, super coloridas, que eu tenho certeza que eles não usam no dia-a-dia, mas que são fundamentais pra virar objeto de foto pros visitantes e, por consequência, gerar gorjeta.

Eu dei a eles uma nota de 10 soles (o equivalente a 8 reais!) por essa foto. Eu não tinha trocado e eles inventaram uma história de que cobram 2 soles por foto (a Alpaca sai de graça)
A vida no interior
O alto potencial turístico reflete na economia da região – dos 20 mil habitantes de Cusco, 80% tem no turismo sua fonte principal de renda. E é por isso que Cusco é caríssima, mais cara que Lima. Almoçar em um restaurante no centro não sai por menos que 25 reais, mas opções menos centrais (e menos visadas pelo orgão de vigilância sanitária, também) oferecem menis completos a 12, 15 reais.
As senhoras que trabalham nas tecelagens pobrezinhas na vila de Chinchero, por exemplo, falam quechua entre si, mas têm a sensibilidade de explicar como funciona o projeto de tosagem e tintura da lã de alpaca em um espanhol muito claro, alto e pronunciado super devagar, que é pros turistas brasileiros poderem entender do que se trata tudo. Elas, mesmo vivendo uma cultura muito tradicional, adaptam a vida e os costumes à possibilidade de ganhar dinheiro com turistas.
A desigualdade social no Peru fica muito clara quando você visita a capital e o interior. Lima guarda um monte de semelhanças com São Paulo. É moderna, metropolitana, gigantesca – 10 milhões de habitantes! -, o trânsito deixa a desejar, os shoppings enchem no domingo. Ao mesmo tempo, a duas horas dali, você tem gente vivendo sem saneamento básico.. A única coisa que o interior e a capital têm em comum são as antenas Claro nos telhados das casas, que ao lado das igrejas, dos puteiros e dos botecos, são as únicas coisas que podem ser encontradas em qualquer lugar por ali, por mais remoto que ele seja.
Aliás, os telhados no interior são a representação perfeita da desigualdade no Peru: ao lado das onipresentes antenas Claro, tem sempre uma estátua de um boizinho, uma cruz ou um pote de barro, uma tradição que serve para atrair prosperidade, sorte e fé. Ficou bem claro que eles precisam bastante dos três.










É Aninha, bela trip, muitas verdades de uma impressão muito forte que nos deixa essa cultura tão diferente. Com minha esposa Patti e as Mochilas, começamos desde a Pré-Cordilheira em um Vilarejo muito pitoresco, cuidado por estrangeiros, se esconde no meio de montanhas de um fim de selva Amazônica, a umas 3hs de Sta Cruz de la Sierra – Bolívia fica Samaipata. Onde se esconde, datada como a 1ª ruina Pré-Colombiana, está a ruina de “El Fuerte”.Simplesmente impressionante, de lá, fomos subindo passando por vários lugares de Bolívia, que é uma Trip que vale a pena, pois a moeda é bem mais baixa, indo por Cochabamba, até a Capital La Paz, de lá para Tiahuanaco; Lá fica uma das únicas pirâmides da América do Sul que é a de “Akapana”, de lá para a divisa entre Bolívia e Peru fomos as ruinas situadas na Ilha do Sol em Copacabana onde foi uma das Expedições de Jack Costeau. Para toda essa viagem, se aplica muito do seu texto, paisagens e muita pobreza, muitas “Cholitas” andam com seus Trajes no dia a dia sim, e utilizam muito o Quéshua e Aymara, quando puder são lugares que valem muito a pena, mas adorei saber que tb curte! Prabéns e uma vez que já te picou o bichinho dos “Por quê?” acho que não consegue mais parar! Bjinhos!